segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Desvanecimento

Estes muros não deveriam de existir. Estas páginas em branco não deveriam repousar aqui, aqui nesta secretária que tem o mundo sobre ela. México. Aqui e agora, não deveria existir. Eu não deveria de ser matéria. E depois, eu estou ali. Sol na face. Livre de tudo. E encontro-me. Sem forma. Sem rosto. Sem olhos e outro corpo que seja medido pelo pulso. Pelo pulso da dor ou da alegria. E depois vem a brisa fresca e marítima embaciar-me os olhos até me trazer a cegueira do mar. Sou cego. Quem me traz a vida para este parapeito de felicidade? Que sabem vocês , vocês que nunca me viram? Que não sou matéria que tenha algum sabor que seja conhecido? Remo rio acima. Norte que não me afoga. Perturbado ou alucinado? Tudo o que é diferente tende a ser incompreendido e rejeitado. Mas se vocês soubessem... Se vocês soubessem, como é este mundo visto daqui... Se vocês soubessem... Mas que voz é a minha para dizê-lo? Vocês sabem tudo. E, sabem, infinitamente, mais do que eu. Vocês quem? Para quem escrevo? Se vocês soubessem... jamais a dúvida vos assolaria. Juro-vos. Que tudo tem a beleza imiscuída em si nos segredos dos seus poros e pregas. Perturbado eu? Triste eu? Que sabem vocês de mim? Infinitamente mais do que eu? E, aqui, digo que não. Porque não sou menos ou mais do que quem quer que seja. Só vivo. Na simplicidade da grandiosidade de tudo o que é pequeno. Que há quem pense que sou perturbado e triste. Deixai. Que há quem pense que vivo no desmazelo da escuridão. Pensem em tudo isto. Pensem se quiserem, que eu aqui, aqui neste balcão de vida, digo que todos esses pensamentos são brisas que passam e que me abraçam. São brisas que me transformam em tudo e em nada. Se vocês soubessem o que me move. Se vocês soubessem... Mesmo não querendo saber para nada? Mas, uma coisa vos digo - sei rir, talvez melhor que outros que não me sabem. Que não me sabem ser.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Não posso continuar a desviar-me do meu caminho. Preciso de regressar a mim...

domingo, 22 de Novembro de 2009

Depois do primeiro trago

existem sempre aqueles instantes de instabilidade, onde todas as reminiscências surgem de abalo como que a cortar a mente e o coração, e nos quais me preciso focar para me poder equilibrar. É um jogo de astúcia. A partir daí, desse ponto remoto mas tão perto, tudo é infinito e todas as possibilidades encontram-se à minha mercê. A partir daí, sou Deus do meu mundo e Deus do meu princípio, meio e fim. Escusado será - digo - profetizar essa semântica como sendo uma mera ilusão. E, ainda há que recordar que, apesar de todos os esforços em compreender todos os sinais - sim, há que recordar que -, nem todos seremos escolhidos. Resta pensar que sem nós também não existiriam os escolhidos e a continuação ficaria, irremediavelmente, colocada sobre a linha. Não esta, mas sim a linha, onde tudo ainda está para ser escrito e erguido...

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Relatividade

Tenho saudades daquelas grandes dores que me levavam a escrever. A minha felicidade não me traz dores. E a tristeza que por vezes sinto, é uma tristeza feita em pontos soltos. Essa rara dádiva é uma tristeza feliz. Devo de agradecer?

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Jiraya-Sanin

"(...) Um conto é tão bom quanto os seus eventos finais e as devidas reviravoltas. As nossas falhas devem de ser vistas apenas como diversão. Elas são provas que servem para melhorar as nossas habilidades. Eu vivi a acreditar nisto. E em retorno, eu jurei que iria realizar uma acção tão grande, que iria destruir todos os meus fracassos anteriores. Então, eu morreria como um guerreiro grandioso."

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Acidez

"Aquele homem – ele vive ali fechado. Fechado naquele mundo imundo. Atolado de merda e desespero. Aquele homem – ele é daquele tipo de seres irritantes – tu sintoniza-te meu caro leitor –, ele é daquele tipo de seres irritantes que fazem a barba à frente de um espelho que reflecte a imagem de um monstro nojento, onde ele – aquele homem – vê uma figura recortada no meio do sebo super-cola 3 que não é mais do que o garoto, que toda a gente queria ver longe, em tamanho ampliado. "

Toda a sujidade aqui

Refuse & Resist

Normalmente as pessoas tendem a mostrar uma grande resistência à mudança. Temem o desconhecido porque estão habituadas aos confortos que lhes são conhecidos. No pólo oposto dessa bússola das emoções, a agulha tende para esse mesmo desconhecido pelo fascínio que lhe está permanentemente associado. A modificação da tirosina segregada pelas glândulas supra-renais, também responsável pela produção de adrenalina, em pequenas ou grandes doses, confere-nos a capacidade de sentir o pulsar da vida em cada poro, em cada fio de cabelo, pestana, tecido, medula e osso. Negar o desconhecido, é negar a condição humana da evolução e renunciar ao espírito de incerteza. Aquilo que nos diferencia das máquinas é isso mesmo. As rotas da vida estão longe de serem códigos binários, programados para seguir sempre a mesma sequência. Cada vez mais, gosto de reparar que tenho feito um excelente trabalho em erradicar da minha vida a resistência à mudança e sinto-me, a cada dia que passa, mais feliz pelas minhas escolhas.